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Exposições de arte e eventos socioculturais

Para este ano, o edifício programou para o Espaço Cultural Conjunto Nacional a realização de eventos voltados para a divulgação da arte e da cultura popular brasileira, com exposições de pintura, escultura, fotografia e mostras temáticas.

Para expor no Espaço Cultural é necessário enviar um e-mail, com uma breve descrição do evento que se pretende realizar.

Daremos um retorno após análise do projeto e mediante disponibilidade no Espaço Cultural. No momento, todos os espaços para exposições estão reservados até dezembro/2012.

Março

 


Festival Sul-Americano da Cultura Árabe

O Brasil possui uma presença contínua de comunidades de imigrantes árabes que participaram ativamente da construção e do desenvolvimento do Estado nacional a partir do século XIX. Em 2010, comemoram-se 130 anos da imigração árabe no país.
Atualmente, mais de 12 milhões de árabes e descendentes vivem no Brasil a contribuir cultural, econômica e politicamente para as sociedades locais. Apenas em São Paulo, são pelo menos 2,5 milhões de pessoas.

O Festival Sul-Americano da Cultura Árabe tem como principal objetivo permitir que a população brasileira se familiarize com a história e a riqueza da cultura árabe, ademais de exaltar as contribuições dos imigrantes. A intenção é fortalecer o estabelecimento de um vínculo profundo entre a América do Sul e os Países Árabes com base no respeito à diversidade cultural e nos laços históricos e culturais.

No ensejo das comemorações do 25 de março, instituído como o Dia Nacional da Comunidade Árabe em projeto sancionado no dia 5 de agosto de 2008 pelo vice-presidente da República e tornado lei federal, o Festival Sul-Americano da Cultura Árabe ocorrerá entre 20 e 31 de março de 2010.

O Festival contará com apresentações de diversos segmentos artísticos. Serão contempladas, entre outras linguagens, o cinema, a literatura, o teatro, a música, a dança, as artes plásticas (em nove exposições), a contação de histórias, o cordel, o repente, a arqueologia, a fotografia, a moda, a gastronomia e intervenções.

O evento ocorrerá em espaços que são símbolos da cidade e do Estado de São Paulo, como Conjunto Nacional, Sesc (várias unidades), Livraria Cultura (várias unidades), Instituto Cervantes, Auditório Ibirapuera, Masp, Teatro Capobianco, Hospital Sírio Libanês, clubes árabes, centros culturais e cineclubes em bairros diversos como Jardim Ângela e Capão Redondo. Haverá ainda apresentações, palestras, debates, exposições, lançamento de livros e mostras no Centro Cultural Árabe-Sul-Americano: Espaço BibliASPA, cujo espaço será inaugurado durante o Festival da Cultura Árabe com uma programação intensa.

Além disso, serão realizados espetáculos em espaços públicos, especialmente na rua 25 de Março. Essa via nasceu por um decreto da Câmara Municipal de 1859 que determinava a abertura de uma rua que ligasse a Ponte do Carmo ao porto de São Bento pela margem esquerda do rio Tamanduateí. Em pouco tempo, a rua 25 de Março transformou-se numa espécie de República Árabe incrustada em São Paulo, uma república de sírios, libaneses, palestinos, iraquianos, egípcios e jordanianos: povos de língua árabe que aqui aprenderam o português; em ambas as línguas, expressaram seu afeto pela pátria de origem e pela de adoção: o Brasil.

Entre as mostras, destaca-se a exposição “Deleite do Estrangeiro em Tudo o que é Espantoso e Maravilhoso”, que apresenta fotos e textos sobre o principal relato de viagem de um árabe e muçulmano ao Brasil e à América do Sul no século XIX. Esta exposição será realizada no Conjunto Nacional entre os dias 20 e 30 de março.

O manuscrito do imã bagdali ‘Abdurrahman bin ‘Abdullah al-Baghdádi ad-Dimachqi intitulado “Deleite do estrangeiro em tudo o que é espantoso e maravilhoso” – traduzido e analisado pelo Prof. Dr. Paulo Daniel Farah, constitui o principal relato de viagem de um árabe e muçulmano ao Brasil e à América do Sul no século XIX.

Erudito muçulmano que estudara árabe, persa, literatura, jurisprudência e teologia, entre outras disciplinas, Al-Baghdádi veio ao Brasil do Oitocentos em um navio a vapor do Império Otomano. A corveta, enviada em 1865 (1282 da hégira) pelo sultão Abdulaziz (1277-1293 da hégira ou 1861-1876 d.C.), de Istambul a Basra, teve sua rota desviada por uma série de tempestades e veio a aportar no Rio de Janeiro, onde o imã árabe decidiu permanecer após identificar na cidade a presença de muçulmanos de origem africana.

Convidado pela comunidade muçulmana da Bahia e de Pernambuco a prolongar a missão de cunho didático que atribuíra a si e o fizera abandonar o vapor para instalar-se na capital do Império do Brasil, ao passo que seu comandante prosseguiu rumo a Basra, Al-Baghdádi continuou seu périplo e relato, no qual descreve, de forma minuciosa e especializada, as práticas e as crenças da comunidade muçulmana e, em particular, dos remanescentes dos malês (Muçulmanos de origem africana que lideraram a principal revolta de escravos urbanos das Américas, o levante dos malês, em 1835, na cidade de Salvador ) na Bahia.

Fonte de informação histórica, geográfica, antropológica, política, religiosa e literária sobre o Brasil, a África, os árabes e os otomanos, este manuscrito contém termos em árabe, turco otomano, persa, francês, grego, português e tupi em uma linguagem rebuscada e poética. No relato de Al-Baghdádi, o africano escravizado e o índio ocupam um lugar especial, em uma época marcada pela Guerra do Paraguai (1864-1870) e pela guerra civil norte-americana (1861-1865), à qual faz alusão em seus escritos.

A tradução anotada desse testemunho detalhado que abrange cerca de três anos (como atestam os três Ramadãs que Al-Baghdádi jejuou no Brasil) e a pesquisa minuciosa que se apresenta nesta exposição integram um esforço de ampliar as pesquisas e a produção de conhecimento acerca da América do Sul, dos países árabes e da África. 

Nesta exposição, após os textos traduzidos e analisados pelo Prof. Dr. Paulo Daniel Farah, há imagens de artistas contemporâneos a Al-Baghdádi que retratam o Brasil da época.

Com efeito, o vínculo entre a América do Sul e os países árabes é antigo. Para citar um exemplo (além de toda a influência árabe via portugueses, espanhóis e africanos), D. Pedro II (1825-1891) realizou algumas viagens ao Egito, ao Líbano, à Palestina, e à Síria a partir de 1871. Quando foi ao Líbano em 1876, fez-se acompanhar de uma comitiva de aproximadamente 200 pessoas. Encontrou-se com diversos intelectuais e, entre outros locais, foi a Baalbeck e Zahle. A visita incentivou decisivamente o fluxo migratório para o Brasil, e atualmente há mais descendentes de libaneses em solo brasileiro que a população total do Líbano.

Curadoria e realização:
Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul – Países Árabes (BibliASPA)

Apoio:
Ministério das Relações Exteriores
Ministério da Cultura
Governo Federal
Prefeitura da Cidade de São Paulo
Governo do Estado de São Paulo
Unesco
Câmara de Comércio Árabe-Brasileira
Hospital Sírio-Libanês

Informações:
Prof. Dr. Paulo Daniel Farah (diretor-presidente)
paulobrasilpaulo@gmail.com
www.bibliaspa.com.br