|
É no ínfimo que vejo a exuberância
Influenciado por Miró, Darwin, Manoel de Barros, hq’s e uma gama enorme de imagens mitológicas e iconográficas, o artista Formiga aplica isso na macrofotografia e busca um meio termo entre a pintura e a fotografia.
Explorando as texturas, cores e padrões que se formam com a ação do tempo em paredes, carros, madeira e objetos encontrados ao acaso nas ruas das cidades por onde passa, o artista desperta o lado lúdico do observador por meio da transfiguração, fazendo com que o objeto fotografado perca sua importância e passe a ser o que sua imaginação permitir.
Complementando o trabalho fotográfico, o artista se aproveita de materiais reciclados, tais como partes de fogão, geladeira, tambor de combustível etc, para a confecção das molduras que se fundem às imagens dando unidade ao trabalho
Como quem faz do absurdo sensatez, a obra de Formiga tem êxito de quimera fotográfica. Um verdadeiro manipulador de percepções. A exposição, composta por retratos de ruídos e contradições da perspectiva, é abstrata em estrutura sem deixar de ser um convite ao exercício da imaginação. Construída em torno da epígrafe de Manoel de Barros, "É no ínfimo que eu vejo a exuberância" exalta as mesmas "inutilezas" propostas por sua fonte inspiradora. Com graça mistura madeira com Picasso, une Darwin a metal, mescla Miró e Turner a pequenas oxidações, combina cor com relevo e pedra. Com milhares de referências imersas em suas imagens, Formiga ainda maneja para que suas fotografias sejam sentenças inacabadas deixando espaço livre para perguntas e interpretações por parte de quem as visualiza, tornando ainda mais único e surreal o voyage fotográfico. Poesia de olho.
Driely Schwartz - Fotógrafa

|