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Exposições de arte e eventos socioculturais

Para este ano, o edifício programou para o Espaço Cultural Conjunto Nacional a realização de eventos voltados para a divulgação da arte e da cultura popular brasileira, com exposições de pintura, escultura, fotografia e mostras temáticas.

Para expor no Espaço Cultural é necessário enviar um e-mail, com uma breve descrição do evento que se pretende realizar.

Daremos um retorno após análise do projeto e mediante disponibilidade no Espaço Cultural. No momento, todos os espaços para exposições estão reservados até maio/2011.

Janeiro


Os Rubicões de São Paulo
Maior aglomerado humano do
Hemisfério Sul, São Paulo abriga 20 milhões de pessoas que vieram de todas as partes do Brasil e do mundo e aí construíram, com seus descendentes e famílias, uma das maiores e mais ricas metrópoles da história da humanidade. Cidade, cujo nome homenageia Paulo, O Apóstolo, maior anunciador do Cristianismo, se desenvolveu em torno a uma escola de catequese e desde então, recebeu de braços abertos toda essa população.

Seus habitantes, cada vez em maior número e os que vinham visitar ou trabalhar, ainda que de passagem, iam se acomodando em volta das Portas da cidade. Os portos dos rios, as estações de trem e terminais de ônibus paulistanos, foram algumas importantes entradas para milhões de pessoas chegarem a São Paulo. Alguns bairros que acolheram essa gente que chegava, se moldaram justamente na mistura desses vários perfis socioeconômicos e culturais de paulistanos vindos de todas as partes do planeta em busca da Terra Prometida de trabalho e felicidade. Marca indelével das características mais importantes da Paulicéia, que a torna única no planeta.

A exposição pretende revelar imagens do cotidiano de três dos mais importantes portões de entrada da cidade: os bairros do Brás, Bom Retiro e Barra Funda, com suas tradições e novidades (que sempre trazem os mais recentes chegados) dispostos num fragmentado mosaico visual, sob a inspiração do melhor fotojornalismo e da documentação crítica, que nos foram ensinados pelos grandes mestres da história da fotografia. O movimento intenso e a agitação frenética do ambiente que produz a mais dinâmica economia da América Latina estão estampados nos olhos e expressões da multidão que transita por essas portas em busca de vencer na vida. Deixam suas marcas coloridas nas ruas, paredes e calçadas de fundo gris. São matéria-prima desta viagem visual por nossas próprias vidas que se reconhecem e se identificam.

O que nos move a conhecer e compartilhar as imagens dos "Rubicões" da grande metrópole Sul Americana é deixar um registro confiável para ser conferido daqui a algumas décadas por novas gerações (que hão de compreender melhor o significado desse acervo a luz do tempo), assim como descobrir novos sinais e cores, ângulos e informações que acrescentem e possam nos fazer perceber melhor a relevância do tema nos dias de hoje. O conjunto das imagens nos propõe entrar no ritmo veloz e voraz (antropofágico, como diria Oswald de Andrade)  como é o que consome a vida paulistana nesses palcos urbanos. Poesia um pouco cínica, rude, mas ainda assim bela, as fotos desses bairros paulistanos refletem melhor do que outros lugares da cidade, a vocação forasteira dos brasileiros, inclusive dos que não nasceram aqui.    
João Bittar